segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O SIM E O NÃO (VIII)

- Depois de anunciar estar determinada a não mais procurar tua companhia, não compreendo se devo sentir-me contemplada ou insultada por tua indiferença. Nem mesmo manifestaste qualquer reação diante de minha partida. Continuaste indiferente e frio, deixando transparecer tua insensibilidade frente aos meus sentimentos, de modo a me fazer concluir que jamais estive presente em teu pensamento. Quando lembro daquela noite em que me prometeste as estrelas, sinto uma mistura de tristeza e rancor. Como és tão carinhoso nas palavras e nos gestos se não te permites o amor? Confesso ser angustiante saber que meu orgulho jamais deixará que torne a vê-lo. Ao mesmo tempo, sinto-me livre desta grande ilusão. Quanto a ti, espero que jamais engane outro coração.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O SIM E O NÃO (VII)

Covarde. Foste covarde ao despertar meus sentimentos sem que pudesses correspondê-los. Covarde, insensível e ardiloso, me enfrentaste desprovida de armas e escudos. Insensível, não percebeu quão frágil eram meus sentimentos. Entrelaçaste-me em tuas palavras tal qual fazem as aranhas em suas teias. Caí presa e aos poucos tiravas-me o fôlego. Sorte minha que teu descuido é maior que teu esforço, e por entre as brechas dessa fina teia, escapei ilesa ao teu veneno mortal. Aprendi a desviar de tuas artimanhas, tão óbvias e vazias. Quanto mais tentas me convencer com tuas palavras, mais te enredas em tua própria armadilha.


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O SIM E O NÃO (VI)

- E o que dizer de tua convicção, ao prometer-me as estrelas sem sequer saber admirá-las? Do mesmo modo, me falavas do amor sem conhecê-lo. Aquilo que acreditas ser amor, não passa de uma noite neblinada. Não consegues enxergar um palmo à tua frente, que dirá contemplar o céu estrelado! Tão distantes quanto as estrelas estão ao nosso toque, está o amor dos teus sentimentos. De todo modo, talvez algum dia percebas a diferença entre tocar e sentir.


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O SIM E O NÃO (V)

- Lamento ter sido demasiadamente sincera, pois pessoas iguais a ti, não sabem como agir diante da sinceridade: aproveitam-se e passam a esnobar os sentimentos alheios. Deveria mesmo ter ocultado a verdade. Creio que não estás acostumado com sinceridade e tens necessidade vital por mentiras. Pois que viva delas!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O SIM E O NÃO (IV)

- Cada vez que precisaste de alguém que te fizesse sorrir, não exitou vir ao meu encontro. Foram longas madrugadas em que ofereci atenção aos teus reclames e segredos. Me entregava a ti de todo o coração e mostravas encanto em minha companhia. Mas havia algo que de mim escondias. De toda sorte, descobri em tempo que todas as horas agradáveis ao teu lado eram vazias. Como pude ser tão tola? Teus beijos, carinhos e melhores sorrisos não destinavam-se a mim. E eu, que outrora te ofereci a primavera, hoje não te ofereço nem mesmo uma flor em meu jardim.

O SIM E O NÃO (III)

Disseste que procuras alguém de valores, mas demonstras tua necessidade carnal e infame diante de qualquer rapariga. A maturidade que tens em tuas palavras, não tens nas atitudes. Poupe-me de tua demagogia e faça uso do tempo para refletir sobre tuas reais aspirações. Colocaste-me em um pedestal como tua rainha, mas a cada gesto distante demonstra que tuas intenções jamais foram merecedoras de meus nobres sentimentos. Desejo apenas que te afastes. Não pretendo ser parte da coleção de teu antiquário barato.


domingo, 12 de agosto de 2012

O SIM E O NÃO (II)

- Deixaste meus sonhos sobre um castelo de cartas e trouxeste a calmaria. Mas vejo a tempestade se formar no horizonte. Não passaram quatro luas desde que partiste, deixando-me à sorte de todas as brisas. Quanto tempo mais terei de esperar até que percebas que teu castelo de cartas não me lançará ao chão? Enquanto te afastavas, aprendi a voar.

O SIM E O NÃO (I)


- Apenas diga se meus sentimentos são por ti correspondidos!
- Sinceramente? Devo confessar-te que conheci o amor uma vez, e lembro que ele era bem diferente disso!

PULSAR

Enquanto respira, cada pedaço em seu corpo deixa transparecer a sensibilidade da vida. A força indecifrável que determina sua existência, transforma cada segundo em nova oportunidade. Os sonhos, que acompanham os suspiros e elevam sua alma, transformam a mágica jornada da vida em um tapete repleto de flores sob o céu reluzente de uma tarde de verão. E os poemas brotam como fontes de água cristalina, frutos da mesma vertente que alimenta o coração que pulsa, e encontra nos amores a sua razão.

sábado, 11 de agosto de 2012

TARDES DE INVERNO

Lembrou quando outrora
sobre a relva verde deitava.
Naquelas tardes de inverno

por horas o céu contemplava.

Assim como as nuvens que observava
transformando-se lentamente,
também transformavam-se os sonhos,
e os pensamentos em sua mente.

O que há no mundo lá fora?
Onde mora a felicidade?
Quantas são as estrelas?
Existe amor de verdade?
Muitas tardes e invernos passaram,
ela conheceu a realidade.

Desejava nunca ter desejado
descobrir o que no mundo lá fora existe.
Que a felicidade não tem endereço,
que há tanta gente triste.

Que as estrelas são infinitas,
mas que ninguém as alcança.
Quanto ao amor, não sabe se existe,
mas ainda carrega esperança.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

SÓ O AMOR FALARÁ

É notável o modo gentil com que tal cavalheiro lhe dirige as palavras. Belo, carinhoso e cordial. Ao que mais o coração de uma jovem poderia desejar? Sua ternura e apreço, por ele são crescentes, embora ela sinta no fundo d'alma que o sopro do amor ainda não habita seu coração. É bem verdade que está sensível, e é visível sua necessidade por companhia. Na verdade, poucas são suas necessidades, senão ter motivos reais para sonhar com a felicidade ao lado de alguém que lhe complete nos mais primitivos sentimentos que o homem possa carregar. O amor! Ah, o amor! É quase um amuleto raro, por ela desejado, para ser contemplado e vigiado. Para ter-lhe sempre junto a seu coração. Suas noites trazem embaraçosos pensamentos que lhe fazem questionar se seria conveniente aceitar os cortejos daquele rapaz, ou se espera até que seu coração se abra em flores. Promessas, surpresas... Em meio a tantas dúvidas a certeza de que em seu coração, só o amor falará.