quarta-feira, 25 de setembro de 2013

SEMANA FARROUPILHA

Meus cabelos loiros e olhos verdes, minhas calças jeans e camisetas, minha playlist que vai de Woody Guthrie à Cidade Negra, minha paixão pelo dia no campo e pela noite urbana, minha inclinação à esquerda e minha fé no homem, meu repúdio à intolerância, ao preconceito, à padronização e estereotipação, minha recusa às fronteiras territoriais, humanas e de pensamento e minha tendência à universalização do amor e do respeito como sentimentos unificadores, são apenas alguns exemplos de que ser gaúcha não quer dizer, necessariamente, ter nascido feito bicho, ter sido criada no lombo do cavalo e venerar os heróis brancos farroupilhas. Ser gaúcha é ser livre para reconhecer que orgulho farroupilha é um sentimento de pertença que vai além do estereótipo de bota e bombacha e que tem por direito e dever histórico, lembrar durante a Semana Farroupilha, que outrora os Lanceiros Negros que lutaram ao lado dos Farrapos por mais de 10 anos pela sua liberdade, derramaram seu sangue nestas terras em que vivemos, sendo traídos por Canabarro e entregues ao genocídio de Duque de Caxias. Ser gaúcha é lembrar que este Rio Grande velho também é terra de quilombos, aldeias e colônias, de gente que lutou e luta por liberdade. E liberdade, meus amigos, é ser capaz de se desvencilhar das correntes que nos limitam e nos oprimem, mas também é ser capaz de reconhecer as diferenças deste povo que se diz gaúcho e o é, não por 10 anos de revolução, mas por uma história de diversidade que no pampa, na colônia ou no apartamento, toma chimarrão e vinho, come churrasco, escuta samba e assiste Fußball.

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