quarta-feira, 6 de novembro de 2013

É TEMPO DE CUIDAR DO PRÓPRIO QUINTAL

Muitos brasileiros olham para o quintal de outros países e, diante da disputas religiosas, políticas e econômicas geradoras de conflitos, derramam suas críticas. No caso dos conflitos no Oriente Médio, por exemplo, lançar desconfiança, estranheza e questionamentos sobre aqueles chamados por muitos de "terroristas", "extremistas religiosos" e ignorantes (por lutarem cegamente em nome da religião), atacar a tirania estadunidense que age de acordo com os interesses econômicos, defender o desarmamento nuclear de países cujos líderes e filosofias não seguem as relações diplomáticas impostas pela ONU, é realmente muito fácil. É fácil chocar-se com o derramamento de sangue que mata milhares a cada ano, seja por bombas ou armas de fogo nos conflitos em países do Oriente Médio. Sabem o que é difícil a muitos destes brasileiros? Difícil é perceber dentro do próprio país, que as armas, a religião e os interesses econômicos também influenciam nossa política. Aqui, no quintal do nosso país, morremos aos milhares, um pouco a cada dia, não por bombas. Nos envenenam. Jogam-nos uns contra os outros. Dão-nos a falsa sensação de liberdade quando na realidade, somos escravos do dinheiro e dos interesses de uma minoria. Prometem-nos o céu a preço alto: devemos odiar aqueles que são diferentes de nós, para recebermos o perdão divino. Aqui, não morremos de uma só vez. Devemos ser torturados geração após geração. Até a último choro, até o último grito, até o último suor. Armas, fé e dinheiro. Lá e aqui. Quando Hitler exterminou milhares de judeus, nos escandalizamos pois afinal, eram brancos matando brancos. Quando o Papa Nicolau V autorizou a escravidão negra por portugueses, interesses econômicos foram suficientes para manterem a prática por três séculos. Quando pessoas morrem aos montes, vítimas de bombas e gás, dizemos que a religião extremista dos "outros" e a disputa por poder econômico e bélico é vergonhosa. Mas e quando somos torturados, escravizados, subordinados e obedientes à fé, às armas e ao dinheiro, aqui, em nosso quintal, o que dizer? Somos mesmo estranhos. Questionamos aos outros o que não sabemos responder. Queremos liberdade mas já não sabemos seu significado. Aceitamos um jogo cujos gráficos e atividades, já estão pré-determinadas à nós, por aqueles que o programaram e entramos sem experiência, utilizando apenas os comandos principais. Quem ousa sair do gráfico é banido do jogo ou torna-se, aos olhos dos outros jogadores, um louco, um insensato. Onde está a capacidade de discernimento? Nos desenvolvemos em termos científicos e materiais, mas retrocedemos na capacidade de sentir e na capacidade de nos reconhecermos uns aos outros, como humanos.

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