quarta-feira, 6 de novembro de 2013

MOVIMENTOS POPULARES DE JUNHO DE 2013: CRITICAR OU REFLETIR

Há quem faça a releitura dos movimentos de junho como outro mero período de contestação popular, durante o qual, alguns coadjuvantes se manifestaram de maneira a deixar um legado de amor e ódio, divididos assim por análises superficiais de quem os acusa por voltarem à inércia. Há quem faça a releitura, pensando nos movimentos como originários dos reflexos da gritante insatisfação da classe trabalhadora, que absorveram ao longo dos dias, gritos e formas das mais variadas. Somou-se à estes gritos, inclusive, a tendência meritocrática da classe média. Opa! Ao final, não queríamos apenas conter os reajustes nos impostos, mas também não queríamos nos abster de usufruir de certas regalias: a maioria de nós ainda discutia (e diga lá, ainda discutimos) se realmente as cotas eram necessárias, se o casamento civil igualitário era de direito, se médicos cubanos teriam alguma utilidade em nosso país ou se as mulheres realmente tem direito sobre seu próprio corpo. Ora, se ainda não éramos (e, em maioria, não somos) capazes de resolver estas questões de uma forma em que a maioria seja contemplada e as minorias sejam escutadas, também não estamos prontos e coerentes o suficiente, para dizer se aqueles coadjuvantes de junho, agradáveis ou não, agiram certo ou errado. O brasileiro precisa de um espelho. Necessita olhar em seu rosto e perguntar a si o que quer: um cordel de incessantes críticas ou uma nova escrita da sua história, que também respeite a do outro.

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