quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A IMPORTÂNCIA DAS RAÍZES

As pessoas mudam muito ao longo de suas vidas e a cada nova mudança, nos surpreendem. Na verdade, todos nós mudamos constantemente. Mudanças são sempre bem-vindas e necessárias, mas é importante saber que perder as cascas é bem diferente do que arrancar as raízes, pois quando perde-se a essência, corre-se o risco de tornar-se irreconhecível aos olhos do mundo, ou mesmo, acabar por não reconhecer-se a si próprio. Quem arranca suas próprias raízes, corre o risco de tombar na primeira ventania.

ONDE ESTÁ A AUTENTICIDADE?

É impressionante como a maioria das pessoas não tem personalidade própria. Chega a dar dó. Carl Jung, certa vez, disse que "nascemos originais e morremos cópias", mas creio que exista sim, algo de diferente em cada pessoa. O que chamamos de personalidade própria é, na minha opinião, o que torna cada indivíduo especial. Aceitar a individualidade das aptidões e reconhecer as diferenças potenciais de personalidade e ação, é como cozinhar. Pode parecer complicado se você não tiver uma receita pronta para seguir, mas a capacidade de elaborar um novo prato e temperá-lo é o que faz toda a diferença ao paladar. Para elaborar um novo prato, existem temperos comuns, utilizados por todos. Mas também existe aquele tempero único, que faz o prato de cada pessoa ser especial. O problema, é que as pessoas estão cada vez mais, querendo usar o tempero especial do prato do outro, mas esquecem que o modo de cozinhar, as mãos que preparam o alimento e o trato com os ingredientes, faz toda diferença. Se um cozinheiro usar o tempero especial do outro em uma panela menor ou maior, em uma temperatura diferente, não quer dizer que seu prato ficará igualmente saboroso. As pessoas precisam reconhecer seus temperos especiais, seus próprios dons, sua própria personalidade. O que nos difere e nos faz atrativos é justamente isso: a capacidade de criação, a originalidade, a dedicação à busca pelo novo, diante de um mundo de cópias forjadas. Ser original tem seu grau de dificuldade e suas complicações, mas com certeza, é a melhor forma de mostrarmos ao mundo, mas principalmente a nós mesmos, que não estamos nesta vida como coadjuvantes de uma peça cujo autor não somos nós, mas como sujeitos guiados e inspirados por nossas próprias escolhas, sentimentos e particularidades.

EDUCAÇÃO x PRECONCEITO

Não há nada mais lamentável, do que ver profissionais da área da educação reproduzindo em suas páginas pessoais e fora delas, discursos e imagens homofóbicas. Profissionais da educação, ao pé da letra, por certo deveriam ser a esperança de um país, de um mundo sem preconceitos, sem estigmatizações, sem intolerância e com muito, mas muito respeito ao próximo. Não basta desejar um país que invista na educação de qualidade. Também é necessário, é indispensável, diria, que professores sejam exemplos de bom senso, respeito ao próximo, de educação, sobretudo. Não há sentido em desejar transformar o mundo e pregar o respeito mútuo aos alunos, quando um professor revela em seus próprios discursos e atos, mesquinharia, retrocesso e preconceito. Sejamos exemplo aos nossos jovens e crianças, dentro e fora da sala de aula, de profissionais que respeitam as diversidades e que superaram os limites do pensamento arcaico.

SEMANA FARROUPILHA

Meus cabelos loiros e olhos verdes, minhas calças jeans e camisetas, minha playlist que vai de Woody Guthrie à Cidade Negra, minha paixão pelo dia no campo e pela noite urbana, minha inclinação à esquerda e minha fé no homem, meu repúdio à intolerância, ao preconceito, à padronização e estereotipação, minha recusa às fronteiras territoriais, humanas e de pensamento e minha tendência à universalização do amor e do respeito como sentimentos unificadores, são apenas alguns exemplos de que ser gaúcha não quer dizer, necessariamente, ter nascido feito bicho, ter sido criada no lombo do cavalo e venerar os heróis brancos farroupilhas. Ser gaúcha é ser livre para reconhecer que orgulho farroupilha é um sentimento de pertença que vai além do estereótipo de bota e bombacha e que tem por direito e dever histórico, lembrar durante a Semana Farroupilha, que outrora os Lanceiros Negros que lutaram ao lado dos Farrapos por mais de 10 anos pela sua liberdade, derramaram seu sangue nestas terras em que vivemos, sendo traídos por Canabarro e entregues ao genocídio de Duque de Caxias. Ser gaúcha é lembrar que este Rio Grande velho também é terra de quilombos, aldeias e colônias, de gente que lutou e luta por liberdade. E liberdade, meus amigos, é ser capaz de se desvencilhar das correntes que nos limitam e nos oprimem, mas também é ser capaz de reconhecer as diferenças deste povo que se diz gaúcho e o é, não por 10 anos de revolução, mas por uma história de diversidade que no pampa, na colônia ou no apartamento, toma chimarrão e vinho, come churrasco, escuta samba e assiste Fußball.