sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

CAMINHO

Com passos largos
descompassados
deixei-me ir. 
Embriagada de lucidez me vi 
em meio à luz, 
em meio ao caos, 
perto daqui. 
Compasso lento, 

inconformado,
que quer ficar,
também partir.
Suspiro tolo, quase sem força,
posso sentir.
E nesses passos recomeçados
que hora rumam descontrolados
quero seguir.
Um tanto cá, um pouco lá, um muito ali.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

AQUELA VELHA DOENÇA... O MACHISMO

Depois de alguns anos convivendo com homens portadores de uma doença popularmente conhecida como 'machismo', mulheres como eu aprenderam a ser perspicazes e combativas ao entrar em contato com estes enfermos. Elaboramos doses de antídoto que são aplicadas nos doentes através de respostas inteligentes e persuasão. E para aqueles cujo a doença já está em estado avançado, sem possibilidade de cura, reservamos a eutanásia do engasgamento com as próprias palavras. Tudo muito simples. Tudo numa boa.

SOLIDÃO

No final do dia, tudo que tenho é minha própria companhia. E nada neste mundo pode fazer com que me sinta mais sozinha do que isso

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A VELHA TEORIA DO ESPELHO

Pessoas são realmente muito interessantes. Principalmente quando mudam drasticamente de comportamento. Mas não me surpreendo. Consigo compreender esse processo, especialmente quando se contradizem ao fazer exatamente aquilo que muito criticavam ou julgavam errado. Por isso, vale sempre aquela máxima de que muitas vezes enxergamos nos outros nossos próprios defeitos e erros. Um provérbio já dizia: quando apontamos o dedo para alguém, outros três dedos ficam recolhidos, apontando para nós. A teoria do espelho funciona sempre. A inconsciência, ao contrário da consciência, geralmente nos afasta do contexto ou até mesmo do real, mas no final, a proposta é a mesma: mostrar o que há de melhor e, nesse caso, de pior em nós mesmos, sob um método - o distanciamento - para análise do que há em nosso eu.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

ACREDITAR E REACREDITAR

Às vezes é bom voltar ao encanto das histórias infantis e perceber que aquilo que sonhamos, imaginamos e desejamos durante a infância só perde o sentido porque somos obrigados a crescer. Então crescemos e assumimos uma postura rude e cinza. Não compreendemos que crescer não significa necessariamente perder a esperança de finais felizes, de amores verdadeiros, de dias coloridos, de sonhos realizados e de alegria irradiante. Pensando bem, talvez um dia tudo volte a fazer sentido. Acreditar e reacreditar!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

É TEMPO DE CUIDAR DO PRÓPRIO QUINTAL

Muitos brasileiros olham para o quintal de outros países e, diante da disputas religiosas, políticas e econômicas geradoras de conflitos, derramam suas críticas. No caso dos conflitos no Oriente Médio, por exemplo, lançar desconfiança, estranheza e questionamentos sobre aqueles chamados por muitos de "terroristas", "extremistas religiosos" e ignorantes (por lutarem cegamente em nome da religião), atacar a tirania estadunidense que age de acordo com os interesses econômicos, defender o desarmamento nuclear de países cujos líderes e filosofias não seguem as relações diplomáticas impostas pela ONU, é realmente muito fácil. É fácil chocar-se com o derramamento de sangue que mata milhares a cada ano, seja por bombas ou armas de fogo nos conflitos em países do Oriente Médio. Sabem o que é difícil a muitos destes brasileiros? Difícil é perceber dentro do próprio país, que as armas, a religião e os interesses econômicos também influenciam nossa política. Aqui, no quintal do nosso país, morremos aos milhares, um pouco a cada dia, não por bombas. Nos envenenam. Jogam-nos uns contra os outros. Dão-nos a falsa sensação de liberdade quando na realidade, somos escravos do dinheiro e dos interesses de uma minoria. Prometem-nos o céu a preço alto: devemos odiar aqueles que são diferentes de nós, para recebermos o perdão divino. Aqui, não morremos de uma só vez. Devemos ser torturados geração após geração. Até a último choro, até o último grito, até o último suor. Armas, fé e dinheiro. Lá e aqui. Quando Hitler exterminou milhares de judeus, nos escandalizamos pois afinal, eram brancos matando brancos. Quando o Papa Nicolau V autorizou a escravidão negra por portugueses, interesses econômicos foram suficientes para manterem a prática por três séculos. Quando pessoas morrem aos montes, vítimas de bombas e gás, dizemos que a religião extremista dos "outros" e a disputa por poder econômico e bélico é vergonhosa. Mas e quando somos torturados, escravizados, subordinados e obedientes à fé, às armas e ao dinheiro, aqui, em nosso quintal, o que dizer? Somos mesmo estranhos. Questionamos aos outros o que não sabemos responder. Queremos liberdade mas já não sabemos seu significado. Aceitamos um jogo cujos gráficos e atividades, já estão pré-determinadas à nós, por aqueles que o programaram e entramos sem experiência, utilizando apenas os comandos principais. Quem ousa sair do gráfico é banido do jogo ou torna-se, aos olhos dos outros jogadores, um louco, um insensato. Onde está a capacidade de discernimento? Nos desenvolvemos em termos científicos e materiais, mas retrocedemos na capacidade de sentir e na capacidade de nos reconhecermos uns aos outros, como humanos.

O VANDALISMO NOSSO DE CADA DIA

Durante o episódio do descarte de acervo da Biblioteca Pública Pelotense, em que centenas de páginas da nossa história foram parar no lixo, ninguém falou em vandalismo e ninguém foi preso. A população não "caiu em cima" dos responsáveis pelo descarte, talvez por ignorância e desconhecimento de que aquela porção do que muitos consideram "papéis velhos" também era patrimônio público sendo destruído. Hoje, ao ver a ira da população revoltada contra quem chamam de "vândalos" por colocarem fogo nas cabines do pedágio, pergunto-me: será que as pessoas sabem realmente o valor das coisas ou será que encontram valor somente naquilo que lhes é de interesse e conhecimento? Será que as pessoas realmente sabem diferenciar os diversos tipos de patrimônio? E ainda que saibam diferenciar, será que elas têm a real consciência de que muitas vezes, os atos a que chamam superficialmente de "vandalismo", são apenas reflexos mais nítidos e acentuados de seus próprios atos no dia a dia? Também somos vândalos, meus caros, cada vez que desperdiçamos água, também somos vândalos cada vez que pagamos por um Iphone fabricado por crianças que recebem 70 centavos por dia, após trabalharem 16 horas. Também somos vândalos quando resolvemos que mulheres são vadias quando usam roupa curta, trabalham fora, se sustentam e são donas de suas próprias vidas. Também somos vândalos quando preferimos passar a responsabilidade da educação de um filho à escola ou à outras pessoas. Somos vândalos quando resolvemos que temos capacidade de julgar e decidir sobre a moral e a sexualidade dos outros. Também somos vândalos, quando assumimos uma postura racista e preconceituosa. Somos vândalos inclusive, quando não respeitamos as filas, os assentos de ônibus e as vagas no estacionamento destinadas à pessoas com necessidades especiais. Somos vândalos quando ingerimos bebida alcoólica e pegamos o volante, ou quando não respeitamos o espaço alheio, obrigando os vizinhos a escutar nossas músicas. Também vou mencionar aqui, o vandalismo causado pelo descaso na hora de pensar o voto, ou no vandalismo de aceitar, através do "tapinha nas costas" ou "apadrinhamento", passar na frente de quem batalhou e tem mais capacidade intelectual e vontade, na disputa por um cargo público. E vou mais além: vou vandalizar os espaços públicos e privados, nos quais ainda vigora o velho ditado do "manda que pode e obedece quem tem juízo". Na verdade, manda quem tem dinheiro, e obedece quem precisa se sujeitar a quase tudo, até mesmo, vender a alma para o diabo ou em nome de um deus, para obtê-lo. Vândalos somos todos. E também somos vandalizados. E nesse círculo vicioso, necessitamos de um algoz que reflita de forma desfocada, um tanto da culpa que temos por nos vendermos a cada dia, aos falsos padrões, às normatizações de conduta inspiradas no patriarcalismo e intolerância e à incessante busca pela (falsa) liberdade, através da submissão ao dinheiro. Agora lhes pergunto, afinal, qual o nosso maior patrimônio? Será que sabemos ou será que já vandalizamos, inclusive, nossos valores?

MOVIMENTOS POPULARES DE JUNHO DE 2013: CRITICAR OU REFLETIR

Há quem faça a releitura dos movimentos de junho como outro mero período de contestação popular, durante o qual, alguns coadjuvantes se manifestaram de maneira a deixar um legado de amor e ódio, divididos assim por análises superficiais de quem os acusa por voltarem à inércia. Há quem faça a releitura, pensando nos movimentos como originários dos reflexos da gritante insatisfação da classe trabalhadora, que absorveram ao longo dos dias, gritos e formas das mais variadas. Somou-se à estes gritos, inclusive, a tendência meritocrática da classe média. Opa! Ao final, não queríamos apenas conter os reajustes nos impostos, mas também não queríamos nos abster de usufruir de certas regalias: a maioria de nós ainda discutia (e diga lá, ainda discutimos) se realmente as cotas eram necessárias, se o casamento civil igualitário era de direito, se médicos cubanos teriam alguma utilidade em nosso país ou se as mulheres realmente tem direito sobre seu próprio corpo. Ora, se ainda não éramos (e, em maioria, não somos) capazes de resolver estas questões de uma forma em que a maioria seja contemplada e as minorias sejam escutadas, também não estamos prontos e coerentes o suficiente, para dizer se aqueles coadjuvantes de junho, agradáveis ou não, agiram certo ou errado. O brasileiro precisa de um espelho. Necessita olhar em seu rosto e perguntar a si o que quer: um cordel de incessantes críticas ou uma nova escrita da sua história, que também respeite a do outro.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A IMPORTÂNCIA DAS RAÍZES

As pessoas mudam muito ao longo de suas vidas e a cada nova mudança, nos surpreendem. Na verdade, todos nós mudamos constantemente. Mudanças são sempre bem-vindas e necessárias, mas é importante saber que perder as cascas é bem diferente do que arrancar as raízes, pois quando perde-se a essência, corre-se o risco de tornar-se irreconhecível aos olhos do mundo, ou mesmo, acabar por não reconhecer-se a si próprio. Quem arranca suas próprias raízes, corre o risco de tombar na primeira ventania.

ONDE ESTÁ A AUTENTICIDADE?

É impressionante como a maioria das pessoas não tem personalidade própria. Chega a dar dó. Carl Jung, certa vez, disse que "nascemos originais e morremos cópias", mas creio que exista sim, algo de diferente em cada pessoa. O que chamamos de personalidade própria é, na minha opinião, o que torna cada indivíduo especial. Aceitar a individualidade das aptidões e reconhecer as diferenças potenciais de personalidade e ação, é como cozinhar. Pode parecer complicado se você não tiver uma receita pronta para seguir, mas a capacidade de elaborar um novo prato e temperá-lo é o que faz toda a diferença ao paladar. Para elaborar um novo prato, existem temperos comuns, utilizados por todos. Mas também existe aquele tempero único, que faz o prato de cada pessoa ser especial. O problema, é que as pessoas estão cada vez mais, querendo usar o tempero especial do prato do outro, mas esquecem que o modo de cozinhar, as mãos que preparam o alimento e o trato com os ingredientes, faz toda diferença. Se um cozinheiro usar o tempero especial do outro em uma panela menor ou maior, em uma temperatura diferente, não quer dizer que seu prato ficará igualmente saboroso. As pessoas precisam reconhecer seus temperos especiais, seus próprios dons, sua própria personalidade. O que nos difere e nos faz atrativos é justamente isso: a capacidade de criação, a originalidade, a dedicação à busca pelo novo, diante de um mundo de cópias forjadas. Ser original tem seu grau de dificuldade e suas complicações, mas com certeza, é a melhor forma de mostrarmos ao mundo, mas principalmente a nós mesmos, que não estamos nesta vida como coadjuvantes de uma peça cujo autor não somos nós, mas como sujeitos guiados e inspirados por nossas próprias escolhas, sentimentos e particularidades.

EDUCAÇÃO x PRECONCEITO

Não há nada mais lamentável, do que ver profissionais da área da educação reproduzindo em suas páginas pessoais e fora delas, discursos e imagens homofóbicas. Profissionais da educação, ao pé da letra, por certo deveriam ser a esperança de um país, de um mundo sem preconceitos, sem estigmatizações, sem intolerância e com muito, mas muito respeito ao próximo. Não basta desejar um país que invista na educação de qualidade. Também é necessário, é indispensável, diria, que professores sejam exemplos de bom senso, respeito ao próximo, de educação, sobretudo. Não há sentido em desejar transformar o mundo e pregar o respeito mútuo aos alunos, quando um professor revela em seus próprios discursos e atos, mesquinharia, retrocesso e preconceito. Sejamos exemplo aos nossos jovens e crianças, dentro e fora da sala de aula, de profissionais que respeitam as diversidades e que superaram os limites do pensamento arcaico.

SEMANA FARROUPILHA

Meus cabelos loiros e olhos verdes, minhas calças jeans e camisetas, minha playlist que vai de Woody Guthrie à Cidade Negra, minha paixão pelo dia no campo e pela noite urbana, minha inclinação à esquerda e minha fé no homem, meu repúdio à intolerância, ao preconceito, à padronização e estereotipação, minha recusa às fronteiras territoriais, humanas e de pensamento e minha tendência à universalização do amor e do respeito como sentimentos unificadores, são apenas alguns exemplos de que ser gaúcha não quer dizer, necessariamente, ter nascido feito bicho, ter sido criada no lombo do cavalo e venerar os heróis brancos farroupilhas. Ser gaúcha é ser livre para reconhecer que orgulho farroupilha é um sentimento de pertença que vai além do estereótipo de bota e bombacha e que tem por direito e dever histórico, lembrar durante a Semana Farroupilha, que outrora os Lanceiros Negros que lutaram ao lado dos Farrapos por mais de 10 anos pela sua liberdade, derramaram seu sangue nestas terras em que vivemos, sendo traídos por Canabarro e entregues ao genocídio de Duque de Caxias. Ser gaúcha é lembrar que este Rio Grande velho também é terra de quilombos, aldeias e colônias, de gente que lutou e luta por liberdade. E liberdade, meus amigos, é ser capaz de se desvencilhar das correntes que nos limitam e nos oprimem, mas também é ser capaz de reconhecer as diferenças deste povo que se diz gaúcho e o é, não por 10 anos de revolução, mas por uma história de diversidade que no pampa, na colônia ou no apartamento, toma chimarrão e vinho, come churrasco, escuta samba e assiste Fußball.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

POEIRA

Quando me descobri inteira, me percebi em partes. Pedaços soltos em atração, formando o que sou. Me espalho em conjunto. Me junto em migalhas, formando uma só. Sou densa como uma nuvem de pó. 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

RITMO


Não espere que eu transpareça ou que pareça sem sentido. Transpire comigo. Sussurro e silêncio no grito contido. Preencha e transborde este corpo proibido. Me leve ao abismo, me salve do inferno, me arranque o juízo. 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

FICHAMENTO DO TEXTO: MAGIA E TÉCNICA, ARTE E POLÍTICA: ENSAIOS SOBRE LITERATURA E HISTÓRIA DA CULTURA, DE WALTER BENJAMIN

BENJAMIN, Walter. Sobre o Conceito de História. In: Magia e Técnica, Arte e Política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Brasiliense: São Paulo, 2012. p. 241-252.

1) - O materialismo histórico deve contar com a teologia e considerar não só as questões materiais, mas também as espirituais. (p. 241)
2) - Passado traz um índice secreto: escutamos algumas vozes do passado que naquele contexto não eram escutadas. (p. 242)
3) - Na luta de classes, que é uma luta pelas coisas “brutas e materiais”, também existem valores que não são materiais, como a confiança, a coragem, o humor, a astúcia e a firmeza. (p. 243)
4) - O passado não pode ser visto como realmente foi, ele sempre é visto a partir do ponto de vista do presente. (p. 243)
5) - A história seria então, uma releitura do passado a partir do presente. (p. 243)
6) - Conhecer o passado significa conhecer uma recordação de um momento de perigo, onde a classe dominante, o dominador, quer apoderar-se desta recordação. O papel do historiador seria o de redentor. (p. 244)
7) - Os bens culturais são as ruínas da dominação, dos vencedores. Não há documento da cultura que não seja simultaneamente um documento da barbárie. A tarefa do materialismo histórico é escovar a história a contrapelo. (p. 245)
8) - Precisamos originar um estado de exceção. A regra sempre foi a história da dominação, da barbárie. Criar um estado de exceção significa deixar os oprimidos, os excluídos, os dominados assumirem o poder. (p. 245)
9) - A história foi construída até então, por uma visão progressista. Mas não é isso que o anjo da história deve ver. Ele deve ver a destruição. As ruínas que, diante dele, crescem até o céu. (p. 246)
10) - Não devemos desviar do mundo e de suas atividades. Vemos três aspectos da mesma realidade: o progresso dos políticos, sua confiança no apoio das massas e uma subordinação servil a um aparelho incontrolável. É custoso a nosso hábito mental recusar esta realidade. (p. 246)
11) - A social-democracia fez a classe operária alemã acreditar no progresso através da exaltação do trabalho, visto como “a fonte de toda a riqueza e toda a cultura”. Outra crítica de Benjamin é que o Marxismo vulgar não examina a questão de como os produtos do trabalho podem beneficiar os trabalhadores que não dispõe deles. O interesse do marxismo vulgar dirige-se apenas aos progressos na dominação da natureza, e não aos retrocessos da sociedade. (p. 247)
12) - Em Marx, “o sujeito do conhecimento histórico é a própria classe combatente e oprimida” e sua tarefa seria de consumar a libertação das gerações passadas. Já a social-democracia atribui à essa classe combatente e oprimida, a classe operária, a tarefa de libertar as gerações futuras. (p. 249)
13) - Assim como Benjamin critica a ideia de uma história progressista da humanidade, também critica a ideia de seu andamento em um tempo vazio e homogêneo. (p. 249)
14) - Segundo Benjamin, a história é construída não em um tempo homogêneo e vazio, mas num tempo preenchido de “agoras”. (p. 249)
15) - O tempo do calendário é diferente do tempo dos relógios. (p. 250)
16) - O historicismo apresenta a imagem eterna do passado. O materialismo histórico faz desse passado uma experiência única. (p. 250)
17) - O historicismo culmina na história universal, já a historiografia materialista, distancia-se dela. A história universal não tem armação teórica, mas se utiliza da massa dos fatos para preencher o tempo vazio e homogêneo. A historiografia materialista tem em sua base um princípio construtivo e avalia a mobilidade de ideias, dando oportunidade revolucionária na luta pelo passado oprimido. (p. 251)
18) - Faz uma comparação da história dos Homo sapiens com a história do homem civilizado. A história do homem civilizado seria mísera diante de toda história da humanidade. (p. 252)

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O SURGIMENTO DA IMPRENSA LOURENCIANA, SEU DESENVOLVIMENTO E O PIONEIRISMO DE ALEXANDER LEOPOLD VOSS


Tamara Oswald
O presente artigo traz um breve histórico do desenvolvimento da imprensa em São Lourenço do Sul, que teve como propulsor o pastor luterano livre Alexander Leopold Voss. Este trabalho, por um lado, apresenta o contexto no qual foi possível que a imprensa pudesse surgir e se desenvolver no município e, por outro, deixa claro que apesar de não serem vistos com bons olhos pelos pastores formados e por grande parte daqueles que não eram luteranos livres, havia entre os pastores-colonos, bons exemplos de pessoas cultas e dedicadas à comunidade, como é o caso do pastor Voss,
Inicialmente, é necessário dizer que a história da emancipação de São Lourenço do Sul não pode ser contada sem citar a importância de sua colonização, iniciada em 1858, graças aos esforços de Jakob Rheingantz[1], que instalou em pequenos lotes de terra neste município, colonos teutos, cuja maioria provinha da Pomerânia e, em menor número, da Renânia.
Os colonos recém-chegados, assim que se estabeleceram em seus lotes, careciam de praticamente tudo: ferramentas para o trabalho, alimentos, roupas, estradas, etc. Careciam também de locais para que pudessem professar a fé e oferecer ensino aos seus filhos. Para isso, por iniciativa própria fundaram diversas comunidades evangélicas luteranas[2]. A primeira comunidade luterana consta ter sido fundada em 1863, em um prédio que serviu de escola e templo. Ao longo dos oitocentos, outras comunidades luteranas também foram fundadas[3], todas livres e independentes.
As comunidades luteranas livres e independentes eram assim chamadas, pois possuíam autonomia religiosa entre si e também para com a Igreja Luterana da Europa. Além disso, estavam desamparadas pelo governo provincial, o qual no princípio, sequer reconhecia a legitimidade dos casamentos por elas realizados.
Para atender a igreja e a escola, os colonos escolhiam em sua própria comunidade o homem mais letrado e que pudesse, ao mesmo tempo, expressar a fé luterana e cuidar da educação[4], criando a figura do pastor-colono ou pastor livre:

Organizavam suas comunidades e escolhiam um dentre eles como pastor, o qual mais tarde foi chamado de “pseudo-pastor” por pastores com formação teológica e ordenação - a história eclesiástica mais recente fala de “pastores-colonos”. Além da realização dos ofícios religiosos tradicionais (batizados, casamentos, enterros), essas comunidades exerciam um papel muito importante na alfabetização das crianças, tarefa que, muitas vezes, também era atribuída ao pastor. (RIETH, 2009, p. 210 e 211)

No início da colonização, esses pastores-colonos tiveram extrema importância na educação e manutenção da religiosidade luterana. Por não haver pastores e professores formados designados para estas atividades, a escolha desses pastores no seio da comunidade, durante muito tempo, de uma forma ou outra, foi a solução encontrada pelos imigrantes para suprir as necessidades religiosas e a carência de escolas e educadores na colônia. Com o passar dos anos, sobretudo após a vinda dos primeiros pastores luteranos formados ao Brasil, os pastores-colonos passaram a ser mal vistos por estes. Acusavam-lhes de serem cachaceiros e jogadores, e de não terem formação suficiente para exercer as funções a eles designadas.[5]
Apesar dessa visão preconceituosa em relação aos pastores livres, muitos eram pessoas respeitadas e honradas, que levavam as coisas a sério. Em São Lourenço do Sul, ainda no século XIX, três pastores livres se destacavam, eram eles: Hermann Remde, Wilhelm Wustrow e Alexander Leopold Voss, dois deles, nomes que nos interessam no presente trabalho, sendo este último, o fundador da primeira gráfica e de dois jornais no município, contribuindo para o acesso a informação, a divulgação de ideias e o desenvolvimento, tanto na colônia quanto na cidade.
Alexander Leopold Voss, nascido em Leipzig, na Alemanha, em 21 de abril de 1845, ainda jovem chegou a São Lourenço do Sul junto com as primeiras levas de imigrantes teutos a partir de 1858. Casado com Ana Maria Elizabeth Bosenbecker, ele foi pai de 11 filhos e cedo iniciou seu trabalho no pastorado livre.
Neste período, o Império Brasileiro mostrava sinais de prosperidade e certa estabilidade política, e a circulação de ideias e informação havia aumentado consideravelmente, graças as ferrovias que ligavam as regiões mais prósperas, acelerando as trocas, as atividades comerciais, favorecendo a comunicação.[6] Em resumo, o desenvolvimento econômico e cultural era notado em praticamente todo o território brasileiro. Neste período, a colônia lourenciana também passou a desenvolver-se rapidamente, graças ao trabalho e à inteligência de seus moradores[7], e já mostrava claros sinais de prosperidade, tanto cultural quanto econômica, contando com fábricas de coches, curtumes, moinhos e serrarias, além de escolas e igrejas. Todo esse crescimento cultural e econômico foi estimulante para o desenvolvimento da imprensa no município.
Nelson Verneck Sodré, logo nas primeiras linhas da introdução de História da Imprensa no Brasil explica claramente essa relação entre desenvolvimento da sociedade capitalista, ou seja, de uma sociedade marcada pelo desenvolvimento econômico, pelo consumo, etc. e o desenvolvimento da imprensa:

Por muitas razões, fáceis de referir e de demonstrar, a história da imprensa é a própria história do desenvolvimento da sociedade capitalista. O controle dos meios de difusão de ideias e de informações – que se verifica ao longo do desenvolvimento da imprensa, como reflexo do desenvolvimento capitalista em que aquele está inserido – é uma luta em que aparecem organizações e pessoas da mais diversa situação social, cultural e política, correspondendo a diferenças de interesses e aspirações. (Sodré, 1999, p.1)

O desenvolvimento da imprensa também acompanha o desenvolvimento cultural, influenciando o comportamento das pessoas e conduzindo a certa uniformidade, através da universalização de valores e padronização de comportamento:

Mas há, ainda, um outro traço ostensivo, que comprova a estreita ligação entre o desenvolvimento da imprensa e o desenvolvimento da sociedade capitalista, aquele acompanhando a este numa ligação dialética e não simplesmente mecânica. A ligação dialética é facilmente perceptível pela constatação da influência que a difusão impressa exerce sobre o comportamento das massas e dos indivíduos. O traço consiste na tendência à unidade e à uniformidade. Em que pese tudo o que depende de barreiras nacionais, de barreiras linguísticas, de barreiras culturais – como a imprensa tem sido governada, em suas operações, pelas regras gerais da ordem capitalista, particularmente em suas técnicas de produção e de circulação – tudo conduz à uniformidade, pela universalização de valores éticos e culturais, como pela padronização do comportamento. (Sodré, 1999, p.1 e 2)

Por outro lado, houve outro fator que foi determinante para o surgimento de uma imprensa em São Lourenço do Sul: a dificuldade de comunicação no próprio município e a carência de informações sobre o estado e sobre o país. Além disso, o número de imigrantes teutos nas colônias de São Lourenço do Sul, Pelotas, Rio Grande e Canguçu era enorme, havendo necessidade de um órgão comunicativo e informativo, que fosse escrito em Língua Alemã, pois a maioria dos colonos não falava nem entendia a Língua Portuguesa, utilizada em jornais da região. Foi nesse contexto, que o pastor Voss fundou a Officina Graphica EDDA e desta forma, pode iniciar a confecção do Der Bote von São Lourenço. Tanto a gráfica quanto o jornal, eram pioneiros no município.

A Officina Graphica EDDA
A Officina Graphica EDDA foi instalada na localidade de Picada Quevedos em 1892. Neste mesmo ano, em suas instalações, foi iniciada a confecção do primeiro jornal de São Lourenço do Sul, o Der Bote von São Lourenço (O Mensageiro de São Lourenço), além de outros produtos:

Durante várias décadas, não só o jornal pioneiro Der Bote Von São Lourenço era lá confecionado, como também cadernos, livros, livretos, agendas e impressos sob encomenda, feitos sempre com esmero, e, conforme sua propaganda do fim do século 19, “Pünktliche und billige” (pontuais e baratos). (HAMMES, 2010, p. 472, v. 3)

O pastor Voss veio a falecer em 1903, e tanto a Officina Graphica EDDA quanto a direção do Der Bote São Lourenço ficaram a cargo de Max Stenzel, que em 1925, deslocou todos os equipamentos de impressão da gráfica, da colônia para a cidade.
Em 1935, a Officina Graphica EDDA foi herdada por Pamphilio Ernesto Deodoro Stenzel, filho de Max Stenzel. Anos mais tarde, em 10 de julho de 1958, Ernesto Stenzel fundou o jornal Voz do Sul, que passou a ser impresso pela gráfica.
O desenvolvimento da imprensa em São Lourenço do Sul era notável, e já no século XX, a EDDA era a maior responsável por fazer circular todo tipo de material gráfico no município, desde os jornais, até livros e produtos para uso escolar e de escritório. Em O Jornal, os produtos da gráfica eram anunciados em praticamente todas as edições: “MAPAS ESCOLARES – Mappas escolares (reformados) na Off. Graph. EDDA”[8], “Papel de Carta para Senhorinhas MI-RA-DO somente a dinheiro na Off. Graph. EDDA”[9].
A importância da gráfica para São Lourenço do Sul também foi reconhecida em diversas ocasiões, por meio de elogios. Abaixo, uma nota publicada em 7 de julho de 1962, pelo jornal Voz do Sul na passagem do aniversário de 70 anos da fundação da gráfica lourenciana:

A oficina Gráfica “EDDA” festejará seu 70º aniversário de fundação, dia 25 do corrente. Já em 1892 São Lourenço ganhava impulso na arte e nas letras. Alexandre Leopoldo Voss fazia brotar uma fonte de luz e de irradiação, disseminando por esse rincão a palavra impressa como símbolo do testemunho de toda a verdade: “Der Bote von São Lourenço”. Foi Max Stenzel que firmou com perícia a alavanca das máquinas responsáveis pelas artes gráficas. Seu sucessor foi P. Friedo Stenzel. (VOZ DO SUL, 1962, p. 5)

As atividades da Officina Graphica EDDA se encerrariam com a morte de seu último dono, Pamphilio Friedo Stenzel, em meados da década de 1980. Nesta época, a Gráfica D.M. Hofstätter já estava em funcionamento no município.

Der Bote von São Lourenço e outros jornais
O Der Bote Von São Lourenço era escrito em língua Alemã e não poderia ser considerado um jornal religioso, apesar de ser escrito por um pastor. Era um semanário de pequenas dimensões (25 x 35 centímetros) e circulou entre 1892 a 1912, na colônia de São Lourenço do Sul e também nas colônias luteranas de Pelotas, Rio Grande e Canguçu. De 1892 até 1903 o jornal esteve aos cuidados do pastor Voss. Neste ano, com o falecimento do pastor, o jornal passou a ser dirigido por Max Stenzel.
Mesmo após sua morte, o pastor Alexander Leopold Voss e seus feitos, ainda era carinhosamente lembrado, principalmente durante os festejos e datas importantes. Exemplo disso é a nota de homenagem, escrita na edição comemorativa ao Dia do Colono, em O Jornal: “Dia do Colono – P. Alexandre Voss – Um dos precursores das Irmandades Evangelicas da Colonia e fundador do Jornal “Der Bote von São Lourenço”, primeiro semanário dado a publicidade neste município. A su’alma, Deus dê sempre merecida bem-aventurança.”
Em 1893, também fundado pelo pastor Voss, o Anzeiger für São Lourenço und Umgegend (Informativo para São Lourenço e Arredores) começaria a circular. Este era um jornal semanal, com 7 páginas e media 26 x 36 centímetros, sendo todo editado em Língua Alemã. É certo de que, após a fundação do Der Bote von São Lourenço e do Anzeiger für São Lourenço und Umgegend, outros jornais locais surgiriam, porém, a maioria eram impressos fora do município. De 1893 em diante, pelo menos 23 jornais locais entrariam em circulação até 1942, quando a fundação do pioneiro Der Bote von São Lourenço completava 50 anos, como mostra a tabela abaixo:
FUNDAÇÃO
NOME DO JORNAL
CONDIÇÃO
1898
O Luctador
semanal
1898
17 de Junho
-
1900
São Lourenço[10]
-
1905
O Commercio
semanal
1906
O Progresso
semanal
1906
São Lourenço
-
1908
Deutsche Post (Correio Alemão)
bissemanal
1912
Glocke von São Lourenço (Sinos de São Lourenço)
semanal
1913
São Lourenço
semanal
1915
Imparcial
semanal
1916
O Liberal
semanal
1917
O Tempo
semanal
1917
O Alfinete
semanal
1918
O Bijú
semanal
1919
Bico de Corvo
semanal
1920
Die Zukunft (O Futuro)
semanal
1921
O Esculca
semanal
1924
A Ordem
-
1925
Jornal
semanal
1930
Persevejo
semanal
1935
O Jornal
semanal
1939
A Tribuna
semanal

Tabela 1: Relação dos Jornais fundados entre 1892 e 1932 – Elaboração própria. (Fonte: HAMMES, 2010, p. 464, 465 e 466, V. 3)
Entre os fundadores destes jornais, havia outro importante nome: o pastor livre Wilhelm Wustrow. O pastor Wustrow, outro notável cidadão da colônia lourenciana, também foi responsável pela organização de um jornal. Era o Glocke von São Lourenço, jornal de circulação semanal, fundado em 1912 e editado em Língua Alemã, destinava-se principalmente à propaganda comercial.
O interessante aqui, é que o ano de fundação do Glocke von São Lourenço, é o mesmo em que o Der Bote von São Lourenço encerra suas atividades. Apesar de nesta época já existirem outros jornais locais em circulação, por ser editado em Língua Alemã, ele assumia a função informativa na colônia lourenciana, onde muitos moradores ainda não liam nem falavam o português. Apesar disso, o jornal teve curta duração, encerrando as atividades em poucos meses de circulação.[11]
Em 10 de julho de 1948, o semanário Voz do Sul começava a ser impresso pela Officina Graphica EDDA. O Voz do Sul circulou durante 16 anos, sendo neste período o único jornal de notícias locais. E 1952, o semanário deixou de ser impresso por alguns meses pela falta de papel. Na tabela a seguir estão registrados os jornais que foram impressos no município, a partir de 1950, até a o final do século XX.
FUNDAÇÃO
NOME DO JORNAL
CONDIÇÃO
1966
Lagoa
semanal
1972
O Jornal
semanal
1973
O Lourenciano
semanal
1981
Voz do Povo
mensal
1986
Correio da Lagoa[12]
mensal
1991
Tribuna Popular
mensal
1992
O Liberal
semanal
1996
Guia-Tur
bimensal
1997
A Pérola
bimensal
1997
Segunda Mão
bimensal
1998
Voz do Sul
semanal
1999
Repórter Nova Era
bimensal
Tabela 2: Relação dos Jornais fundados entre 1950 e 2000 – Elaboração própria. (Fonte: HAMMES, 2010, p. 469, 470, 471 e 482, V. 3)
Analisando os dois gráficos que, somados, representam um século de jornais impressos em São Lourenço do Sul, podemos perceber que um até 1950 houve um verdadeiro “surto” de jornais locais em circulação: em apenas 50 anos mais de 20 jornais foram fundados no município.
Depois de 1950, o surgimento de jornais locais diminuiu gradativamente, mas ainda assim, somavam 12 os jornais fundados neste período. Dadas essas informações, é necessário salientar que apenas três jornais, ao longo da história da imprensa no município, conseguiram manter suas atividades regulares por mais de 10 anos. São eles o pioneiro Der Bote von São Lourenço, que circulou 20 anos (1892-1912), o Voz do Sul, foi impresso por 16 anos (1948-1964) e O Lourenciano, que foi fundado em 1973 e mantém suas atividades até hoje, completando 40 anos circulando no município.

Considerações finais:
É notória, no caso de São Lourenço do Sul, a importância do desenvolvimento da imprensa escrita com a criação de uma gráfica local, ainda no final do século XIX, que trouxe consigo a criação de diversos jornais no município, facilitando o acesso a informação tanto por parte dos colonos teutos – que na nova terra clamavam por um veículo de comunicação em sua língua-mãe – quanto dos demais moradores da região, que até então tinham dificuldade de acesso a informações vindas de fora do município.
Também é notória, a importância dos jornais para a história dos homens. Eles trazem os mais variados tipos de informações a respeito do cotidiano das pessoas. Anúncios comerciais, atas públicas, editais, registros de festejos e da vida social, notícias sobre acontecimentos locais ou não, etc.
No caso de São Lourenço do Sul, o grande número de jornais locais que circularam desde entre o final do século XIX e o século XX, torna-se importante para a escrita da própria história do município que ainda carece de preencher muitas lacunas. Esses jornais são fontes riquíssimas de informações do crescimento de São Lourenço do Sul, pois andaram lado a lado com o desenvolvimento econômico, social e cultural da região.
Infelizmente, os poucos e raros exemplares de alguns desses jornais locais, encontram-se em péssimo estado de conservação no acervo do Arquivo Histórico Municipal, necessitando urgente de restauração e digitalização, para que o pouco que resta não acabar destruído pelo tempo. A péssima conservação e o escasso número desses jornais foi uma das principais dificuldades na escrita desse artigo, no que diz respeito a dados mais completos.
No que diz respeito ao pioneirismo do pastor Alexander Leopold Voss na fundação da primeira gráfica lourenciana e na confecção do primeiro jornal do município, devemos destacar não só a sua importância como também a contrariedade a algumas ideias que na época circulavam, de que os pastores livres não possuíam as menores condições de exercer o pastorado e de que eram homens desonestos e incapazes. O pastor Voss era, por certo, um empreendedor e notável referência entre os colonos e entre os demais moradores de São Lourenço do Sul, sendo reconhecido por todas as gerações que o sucederam.
Cabe dizer ainda, que os esforços dos colonos quando em São Lourenço do Sul se instalaram, trouxeram resultados acelerados, tanto na questão econômica com a criação de pequenas fábricas e curtumes quanto na questão social e cultural, organizando escolas, igrejas, sociedades recreativas, etc. Essas organizações proporcionaram um ambiente favorável à circulação das ideias e à necessidade do desenvolvimento de uma imprensa informativa local.


Referências Bibliográficas:
CEM ANOS DE GERMANIDADE NO RIO GRANDE DO SUL – 1824-1924. –Hunder Jahre Deutschtum in Rio Grande do Sul (1824-1924). Trad. Por Arthur Blasio Rambo. São Leopoldo: Ed. Unisinos, 2000.
COURACY, Vivaldo. A colônia de São Lourenço e seu fundador Jacob Rheingantz. São Paulo: Oficinas Gráficas Saraiva, 1957.
DREHER, Martin. História do Povo Luterano. São Leopoldo: Sinodal, 2005.
HAMMES, Edilberto Luiz. São Lourenço do Sul: Radiografia de um município – das origens ao ano 2000. 4 Volumes. São Leopoldo: Studio Zeus, 2010.
PINSKY, Carla Bassanezi. (organizadora) Fontes Históricas. São Paulo: Contexto, 2006,
RIETH, Ricardo Willy. Raízes Históricas e Identidade da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB). Estudos Teológicos, São Leopoldo, v. 9, n. 2, julho/dezembro de 2009. Disponível em: http://www.est.edu.br/periodicos/index.php/estudos_teologicos/article/view/83/77, Consulta em: 22/08/2012.
SODRÉ, Nelson Werneck. História da Imprensa no Brasil. Rio de Janeiro: Mauad, 1999.


Lista de Fontes: 
A TRIBUNA. Um jornal independente, de propaganda do Estado Novo e de defeza dos interesses gerais de São Lourenço. Direção: Darcy Compson Coimbra Di Calafiori. São Lourenço do Sul: Officina Graphica EDDA, 1939-1940. Disponível no acervo do Arquivo Histórico Municipal.
DER BOTE VON SÃO LOURENÇO. Pioneiro Jornal de São Lourenço, editado em língua alemã. Direção: Alexander Leopold Voss/Max Stenzel. São Lourenço do Sul: Officina Graphica EDDA, 1892-1912. Disponível no acervo do Arquivo Histórico Municipal.
JORNAL. Direção: Deodoro Friedo Stenzel. São Lourenço do Sul: Officina Graphica EDDA, 1925-1934. Disponível no acervo do Arquivo Histórico Municipal.
O JORNAL. Direção: Ernesto Deodoro Friedo Stenzel. São Lourenço do Sul: Officina Graphica EDDA, 1935-1936.  Disponível no acervo do Arquivo Histórico Municipal.
RHEINGANTZ, Carlos G. Die Gründung der Kolonie São Lourenço und ihr Gründer Jakob Rheingantz. Porto Alegre: Cäsar Reinhardt, 1907.



[1] CEM ANOS DE GERMANIDADE NO RIO GRANDE DO SUL – 1824-1924, 2000, p. 07. 
[2] O Luteranismo é um dos ramos do Cristianismo, fundado por Martinho Lutero, reformador da Igreja Católica na Alemanha. No Brasil, teve seus primeiros fiéis de forma mais expressiva a partir de 1824, com a vinda dos primeiros imigrantes teutos.
[3] Outras comunidades livres e independentes, fundadas ainda nos oitocentos foram a de Bom Jesus e de Harmonia II, em 1868, a Igreja São Lucas, de Sesmaria, em 1872, a Igreja São Paulo, de Taquaral em 1891, e a Igreja Evangélica de Gusmão em 1883.
[4] Quando se constituíram as primeiras comunidades luteranas no Brasil, os imigrantes luteranos trouxeram consigo a convicção de que a escola fazia parte de uma das tarefas precípuas da comunidade. Havia 300 anos que Lutero incentivara pais, prefeitos e vereadores a mandarem filhos às escola, construírem e manterem escolas. A escola seria um importante instrumento para que se cumprisse a vocação do cristão no mundo. (DREHER, 2005, p. 72)
[5] CEM ANOS DE GERMANIDADE NO RIO GRANDE DO SUL – 1824-1924, 2000, p. 527. 
[6] PINSKY, Carla Bassanezi  (organizadora). Fontes Históricas. São Paulo: Contexto, 2006, p. 136.
[7] CEM ANOS DE GERMANIDADE NO RIO GRANDE DO SUL – 1824-1924, 2000, p. 562.
[8] JORNAL, 24 de novembro de 1927, p. 3.
[9] JORNAL, 14 de dezembro de 1927, p. 3.
[10] Existiram três jornais com o nome “São Lourenço”, mas todos circularam em períodos diferentes e com diferentes donos.
[11] Não foram encontradas referências que indicassem a data do último exemplar a circular no município.
[12] O Correio da Lagoa foi o primeiro jornal do município impresso em cores.