sexta-feira, 15 de novembro de 2013

AQUELA VELHA DOENÇA... O MACHISMO

Depois de alguns anos convivendo com homens portadores de uma doença popularmente conhecida como 'machismo', mulheres como eu aprenderam a ser perspicazes e combativas ao entrar em contato com estes enfermos. Elaboramos doses de antídoto que são aplicadas nos doentes através de respostas inteligentes e persuasão. E para aqueles cujo a doença já está em estado avançado, sem possibilidade de cura, reservamos a eutanásia do engasgamento com as próprias palavras. Tudo muito simples. Tudo numa boa.

SOLIDÃO

No final do dia, tudo que tenho é minha própria companhia. E nada neste mundo pode fazer com que me sinta mais sozinha do que isso

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A VELHA TEORIA DO ESPELHO

Pessoas são realmente muito interessantes. Principalmente quando mudam drasticamente de comportamento. Mas não me surpreendo. Consigo compreender esse processo, especialmente quando se contradizem ao fazer exatamente aquilo que muito criticavam ou julgavam errado. Por isso, vale sempre aquela máxima de que muitas vezes enxergamos nos outros nossos próprios defeitos e erros. Um provérbio já dizia: quando apontamos o dedo para alguém, outros três dedos ficam recolhidos, apontando para nós. A teoria do espelho funciona sempre. A inconsciência, ao contrário da consciência, geralmente nos afasta do contexto ou até mesmo do real, mas no final, a proposta é a mesma: mostrar o que há de melhor e, nesse caso, de pior em nós mesmos, sob um método - o distanciamento - para análise do que há em nosso eu.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

ACREDITAR E REACREDITAR

Às vezes é bom voltar ao encanto das histórias infantis e perceber que aquilo que sonhamos, imaginamos e desejamos durante a infância só perde o sentido porque somos obrigados a crescer. Então crescemos e assumimos uma postura rude e cinza. Não compreendemos que crescer não significa necessariamente perder a esperança de finais felizes, de amores verdadeiros, de dias coloridos, de sonhos realizados e de alegria irradiante. Pensando bem, talvez um dia tudo volte a fazer sentido. Acreditar e reacreditar!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

É TEMPO DE CUIDAR DO PRÓPRIO QUINTAL

Muitos brasileiros olham para o quintal de outros países e, diante da disputas religiosas, políticas e econômicas geradoras de conflitos, derramam suas críticas. No caso dos conflitos no Oriente Médio, por exemplo, lançar desconfiança, estranheza e questionamentos sobre aqueles chamados por muitos de "terroristas", "extremistas religiosos" e ignorantes (por lutarem cegamente em nome da religião), atacar a tirania estadunidense que age de acordo com os interesses econômicos, defender o desarmamento nuclear de países cujos líderes e filosofias não seguem as relações diplomáticas impostas pela ONU, é realmente muito fácil. É fácil chocar-se com o derramamento de sangue que mata milhares a cada ano, seja por bombas ou armas de fogo nos conflitos em países do Oriente Médio. Sabem o que é difícil a muitos destes brasileiros? Difícil é perceber dentro do próprio país, que as armas, a religião e os interesses econômicos também influenciam nossa política. Aqui, no quintal do nosso país, morremos aos milhares, um pouco a cada dia, não por bombas. Nos envenenam. Jogam-nos uns contra os outros. Dão-nos a falsa sensação de liberdade quando na realidade, somos escravos do dinheiro e dos interesses de uma minoria. Prometem-nos o céu a preço alto: devemos odiar aqueles que são diferentes de nós, para recebermos o perdão divino. Aqui, não morremos de uma só vez. Devemos ser torturados geração após geração. Até a último choro, até o último grito, até o último suor. Armas, fé e dinheiro. Lá e aqui. Quando Hitler exterminou milhares de judeus, nos escandalizamos pois afinal, eram brancos matando brancos. Quando o Papa Nicolau V autorizou a escravidão negra por portugueses, interesses econômicos foram suficientes para manterem a prática por três séculos. Quando pessoas morrem aos montes, vítimas de bombas e gás, dizemos que a religião extremista dos "outros" e a disputa por poder econômico e bélico é vergonhosa. Mas e quando somos torturados, escravizados, subordinados e obedientes à fé, às armas e ao dinheiro, aqui, em nosso quintal, o que dizer? Somos mesmo estranhos. Questionamos aos outros o que não sabemos responder. Queremos liberdade mas já não sabemos seu significado. Aceitamos um jogo cujos gráficos e atividades, já estão pré-determinadas à nós, por aqueles que o programaram e entramos sem experiência, utilizando apenas os comandos principais. Quem ousa sair do gráfico é banido do jogo ou torna-se, aos olhos dos outros jogadores, um louco, um insensato. Onde está a capacidade de discernimento? Nos desenvolvemos em termos científicos e materiais, mas retrocedemos na capacidade de sentir e na capacidade de nos reconhecermos uns aos outros, como humanos.

O VANDALISMO NOSSO DE CADA DIA

Durante o episódio do descarte de acervo da Biblioteca Pública Pelotense, em que centenas de páginas da nossa história foram parar no lixo, ninguém falou em vandalismo e ninguém foi preso. A população não "caiu em cima" dos responsáveis pelo descarte, talvez por ignorância e desconhecimento de que aquela porção do que muitos consideram "papéis velhos" também era patrimônio público sendo destruído. Hoje, ao ver a ira da população revoltada contra quem chamam de "vândalos" por colocarem fogo nas cabines do pedágio, pergunto-me: será que as pessoas sabem realmente o valor das coisas ou será que encontram valor somente naquilo que lhes é de interesse e conhecimento? Será que as pessoas realmente sabem diferenciar os diversos tipos de patrimônio? E ainda que saibam diferenciar, será que elas têm a real consciência de que muitas vezes, os atos a que chamam superficialmente de "vandalismo", são apenas reflexos mais nítidos e acentuados de seus próprios atos no dia a dia? Também somos vândalos, meus caros, cada vez que desperdiçamos água, também somos vândalos cada vez que pagamos por um Iphone fabricado por crianças que recebem 70 centavos por dia, após trabalharem 16 horas. Também somos vândalos quando resolvemos que mulheres são vadias quando usam roupa curta, trabalham fora, se sustentam e são donas de suas próprias vidas. Também somos vândalos quando preferimos passar a responsabilidade da educação de um filho à escola ou à outras pessoas. Somos vândalos quando resolvemos que temos capacidade de julgar e decidir sobre a moral e a sexualidade dos outros. Também somos vândalos, quando assumimos uma postura racista e preconceituosa. Somos vândalos inclusive, quando não respeitamos as filas, os assentos de ônibus e as vagas no estacionamento destinadas à pessoas com necessidades especiais. Somos vândalos quando ingerimos bebida alcoólica e pegamos o volante, ou quando não respeitamos o espaço alheio, obrigando os vizinhos a escutar nossas músicas. Também vou mencionar aqui, o vandalismo causado pelo descaso na hora de pensar o voto, ou no vandalismo de aceitar, através do "tapinha nas costas" ou "apadrinhamento", passar na frente de quem batalhou e tem mais capacidade intelectual e vontade, na disputa por um cargo público. E vou mais além: vou vandalizar os espaços públicos e privados, nos quais ainda vigora o velho ditado do "manda que pode e obedece quem tem juízo". Na verdade, manda quem tem dinheiro, e obedece quem precisa se sujeitar a quase tudo, até mesmo, vender a alma para o diabo ou em nome de um deus, para obtê-lo. Vândalos somos todos. E também somos vandalizados. E nesse círculo vicioso, necessitamos de um algoz que reflita de forma desfocada, um tanto da culpa que temos por nos vendermos a cada dia, aos falsos padrões, às normatizações de conduta inspiradas no patriarcalismo e intolerância e à incessante busca pela (falsa) liberdade, através da submissão ao dinheiro. Agora lhes pergunto, afinal, qual o nosso maior patrimônio? Será que sabemos ou será que já vandalizamos, inclusive, nossos valores?

MOVIMENTOS POPULARES DE JUNHO DE 2013: CRITICAR OU REFLETIR

Há quem faça a releitura dos movimentos de junho como outro mero período de contestação popular, durante o qual, alguns coadjuvantes se manifestaram de maneira a deixar um legado de amor e ódio, divididos assim por análises superficiais de quem os acusa por voltarem à inércia. Há quem faça a releitura, pensando nos movimentos como originários dos reflexos da gritante insatisfação da classe trabalhadora, que absorveram ao longo dos dias, gritos e formas das mais variadas. Somou-se à estes gritos, inclusive, a tendência meritocrática da classe média. Opa! Ao final, não queríamos apenas conter os reajustes nos impostos, mas também não queríamos nos abster de usufruir de certas regalias: a maioria de nós ainda discutia (e diga lá, ainda discutimos) se realmente as cotas eram necessárias, se o casamento civil igualitário era de direito, se médicos cubanos teriam alguma utilidade em nosso país ou se as mulheres realmente tem direito sobre seu próprio corpo. Ora, se ainda não éramos (e, em maioria, não somos) capazes de resolver estas questões de uma forma em que a maioria seja contemplada e as minorias sejam escutadas, também não estamos prontos e coerentes o suficiente, para dizer se aqueles coadjuvantes de junho, agradáveis ou não, agiram certo ou errado. O brasileiro precisa de um espelho. Necessita olhar em seu rosto e perguntar a si o que quer: um cordel de incessantes críticas ou uma nova escrita da sua história, que também respeite a do outro.